A epúlide de células granulares do recém-nascido, também denominada epúlide congênita do recém-nascido, é uma lesão benigna rara da cavidade oral, observada exclusivamente em neonatos. A sua histogênese ainda é incerta.

Características clínicas

Clinicamente, a lesão apresenta predileção pelo sexo feminino e acomete preferencialmente o rebordo alveolar anterior da maxila, embora também possa ocorrer na mandíbula. Casos raros também foram relatados na língua. O tumor pode ser identificado ainda no período pré-natal por ultrassonografia, especialmente quando atinge dimensões maiores. As lesões pequenas costumam ser identificadas durante o exame físico neonatal, enquanto as lesões maiores podendo protruir para fora da cavidade oral e interferir na amamentação, na sucção, na deglutição ou, raramente, causar dificuldade respiratória

O tumor  apresenta-se como uma massa polipoide, séssil ou pediculada e única. Malformações congênitas dos dentes não são observadas. Apesar do aspecto clínico por vezes alarmante, trata-se de uma alteração de comportamento benigno, sem potencial conhecido de transformação maligna. O crescimento parece ocorrer predominantemente durante a vida intrauterina, com tendência à estabilização após o nascimento.

Características histopatológicas

Microscopicamente, a epúlide de células granulares do recém-nascido é caracterizada por proliferação subepitelial de células grandes, poligonais ou arredondadas, dispostas em lençóis ou agrupamentos compactos. Essas células apresentam citoplasma amplo, eosinofílico e finamente granular, com núcleos pequenos, uniformes, sem pleomorfismo significativo.

Atipias citológicas, figuras de mitose e necrose não são observados. O estroma costuma ser delicado e vascularizado. O epitélio de revestimento é geralmente estratificado pavimentoso, sem hiperplasia pseudoepiteliomatosa exuberante, característica observada no tumor de células granulares do adulto.

No exame imuno-histoquímico, as células tumorais são negativas para S-100 e SOX10 e mostram positividade variável para CD68 e vimentina.

Imagem microscópica da epúlide congênita de células granulares

Imagem microscópica da epúlide congênita de células granulares

Imagem microscópica da epúlide congênita de células granulares

 

Figuras 1A,1B e 1C – Imagens microscópicas da epúlide congênita de células granulares em menor e maior aumento. Observar o epitélio atrófico e a presença de células tumorais dispostas em lençóis  e exibindo citoplasma amplo, eosinofílico e finamente granular, com núcleos pequenos e uniformes.

Tratamento

A excisão cirúrgica simples é geralmente curativa e as recorrências são raras.

 

Leitura complementar:

1- Babu E, Kamalasanan G, Prathima GS, Kavitha M. Congenital Epulis of the Newborn: A Case Report and Literature Review. Int J Clin Pediatr Dent. 2021;14:833-837.

2- De Stefano S, Nadal López E, Sabas M. Congenital Epulis: A Rare Head And Neck Tumor in the Newborn. J Craniofac Surg. 2023;34:1741-1743.

3- Bilodeau EA, Hunter KD. Odontogenic and Developmental Oral Lesions in Pediatric Patients. Head Neck Pathol. 2021;15:71-84.

 

 

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